terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O que o Brasil quer?

O que o Brasil quer?

sábado, 2 de abril de 2016

A Presença Perdida de Deus

A Presença Perdida de Deus - Por Martyn Lloyd Jones
Homens e mulheres, quando são verdadeiramente despertados começam a compreender que não há nada que é tão sério quanto estar sem a presença de DEUS. Você captou isso em sua força total? 
Deus estava enviando o povo que acabará de ser retirado do Egito, rumo a terra prometida. Deus estava dizendo: 

"Subam! Eu prometi a vocês a terra de Canaã, e eu a darei a vocês! Vocês devem ir para a terra que mana leite e mel. Eu enviarei meu anjo diante de vocês para destruir seus inimigos: Os Amonitas, Hititas, Perizeus, Canaanitas, Heveus e Jebuseus. Vão em frente. Subam a terra prometida. Eu os libertei do cativeiro do Egito, Eu os estou enviando adiante. Vão em frente! Lidere-os Moisés! Eu enviarei um anjo com você". Mas o povo disse "Não! Se o Senhor não vier conosco, nós não queremos ir". 

Preste atenção, essa é a essência do discernimento espiritual, e isso é, meus queridos amigos, o que você e eu temos que entender. Você pode perceber que quando as pessoas são verdadeiramente despertadas, elas chegam à essa tremenda e profunda compreensão: que se lhe for concedida qualquer outra benção, não tem valor algum, se DEUS não tiver com elas. Qual o valor de Canaã? Qual o valor de leite e mel? Qual o valor de ter possessões, se o Senhor não esta conosco? Eles viram que a realização da presença de DEUS [de tê-la], tendo Sua comunhão e companhia era infinitamente mais importante que qualquer outra coisa. 
Será que preciso aplicar isso a igreja de hoje? 

Você pode ter sucesso sobre seus inimigos, sabe, sem essa grande compreensão da presença de DEUS no centro de tudo. Há anjos que podem fazer coisas por nós, destruir certos inimigos, levar-nos a terra. Nós estaríamos em Canaã, nós possuiríamos o "leite e mel", e tudo pareceria estar tranquilo. Há um verso apavorante em Salmos 106.15, onde nós somos notificados sobre os filhos de Israel, de que DEUS: "Concedeu os seus pedidos, mas enviou magreza em suas almas". Você pode ter muito da "prosperidade e grande raio de atuação" . A igreja pode parecer estar indo admiravelmente bem, finanças positivas, boas 'figuras' [pessoas influentes], sucessos, "conversões", inimigos derrotados. Tudo indo bem. Tudo parecendo estar maravilhosamente bem! Mas a questão apavorante que faço é esta: "Deus esta no centro?" "Ele realmente esta entre nós?" "Estamos nós apercebidos, como deveríamos estar, da Sua gloriosa presença?" Era isso que estava em jogo com esse povo [povo de Israel]. 

E o que eles disseram efetivamente? "Canaã não tem nenhum uso par nós. Leite e mel não tem nenhum valor. Nós não estamos interessados nesses inimigos; nós queremos Você!" 
Óh, diz o salmista (Sl 42.1), é por Ti que clamo, "como a corça brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por Ti, ó DEUS". Ele não estava atrás de bençãos, ele estava atrás de DEUS! O DEUS VIVO! Assim diz Paulo: "Eu fui um evangelista de sucesso! Eu fiz tanto, mas eu não estou satisfeito, para que eu O conheça, e o poder de Sua ressurreição e a comunhão de Seus sofrimentos" (Fp 3.10). 

"Não, não, eles disseram! Não podemos avançar sem Você!" A presença de DEUS é essencial. E eles chegaram àquela compreensão. E isso eu digo: A compreensão que eles chegaram foi, que nenhuma prosperidade ou nenhum tipo de sucesso, pode compensar pela ausência de DEUS! "De que adiantaria ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder sua própria alma?" (Mc 8.39). 

Povo cristão, eu não estou perguntando se você esta vivendo uma boa vida, não estou lhes perguntando se estão felizes, não estou lhes perguntando se estão lendo suas Bíblias, ou se estão orando, não estou perguntando se sua atividade na igreja funciona, ou qualquer outra forma de atividade cristã; o que estou lhes perguntando é: "Você conhece DEUS?" "Ele esta com você?" "Ele esta em sua vida?" "Ele esta no comando?" Ou você esta viajando como se DEUS fosse alguém mantido "à distancia", dando-lhe força ou poder por seu anjo e por sua liderança e tudo mais? Mas a questão é: "E com relação a você? Como é seu relacionamento e procedimento pessoal com Ele?" 

FONTE: Trilhando o caminho estreito

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

AS RAZÕES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE

AS RAZÕES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE

"Ao ler muito rápido não há concentração para interpretar o que se lê. 
Ao ler muito devagar presta-se mais atenção no significado de cada
palavra e não no conjunto como um todo".


O gênio Blaise Pascal, filósofo francês (1623-1662), coloca que a razão pode, sem dúvida, tomar conhecimento da dualidade que dilacera a vida humana até em suas manifestações mais íntimas, mas não pode fazer nada  para superá-la. Somente a fé cristã pode explicar ao homem a origem da ruptura e dar-lhe a graça de saná-la. 

A razão, conceituada em seu sentido geral, como a faculdade de conhecimento intelectual próprio do ser humano que se contrapõe ao entendimento da emoção, nos leva a célebre frase de Pascal "O coração tem razões que a própria razão desconhece". Nesse sentido razões são as emoções do coração e razão é a consciência intelectual e moral da percepção das coisas. A dualidade existente na vida humana, miséria e grandeza, provoca uma tensão muito grande  que o homem por si só não consegue equilibrar. Necessita de algo exterior para se obter o equilíbrio. Nessa complexidade da condição humana entre o bem (grandeza) e o mal (miséria), a fé no seu criador torna-se um pilar de sustentação e equilíbrio para o existir do homem. Sendo a fé, conceituada como o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem, logo partimos do princípio de que a fé passa pelas razões do coração.


(...) As grandezas e as misérias do homem são tão visíveis que é preciso que a verdadeira religião nos ensine, por um lado, que há algum grande princípio de grandeza no homem e, por outro, que há um grande princípio de  miséria (...)


Essa insuficiência humana no remete a refletir as questões do nosso cotidiano. 

Que linguagem estamos interpretando diante das coisas e fatos que nos cercam?

Que tipo de leitura estamos fazendo diante das situações adversas em que estamos inseridos?

O homem, na sua condição miserável que é fundamentalmente nuclear e conectada ao amor de si próprio, que acarreta as demais misérias presentes na humanidade tem agido de forma insana, onde presenciamos uma sociedade em que a justiça muitas vezes não se consegue fazer justiça. A violência tem se destacado a cada dia tornando quase que comum na vida diária. Vivenciamos uma sociedade com valores e senso de justiça questionáveis. Diante de uma realidade tão complexa como a que vivenciamos hoje, nossa esperança está na grandeza humana refletida pelo resto de luz do nosso Criador, Deus, que nos confere o poder da verdadeira reflexão.

Refletindo sobre esta questão, no livro Ousar Ser de Isabel Abecassis Empis, em seu prefácio, aborda que: "Uma boa certeza quando se vivem tempos incertos é saber que podemos procurar e encontrar novas respostas para os novos desafios dentro de nós"."Numa altura em que as ciências exatas são postas em causa pelas sucessivas catástrofes que assolam o mundo, e em que os mercados econômicos mundiais demonstram uma enorme instabilidade, é muito consolador podermos virar-nos para dentro e interrogarmo-nos sobre o sentido da vida. Sobre aquilo que nos faz crescer, fortalecer e ser verdadeiramente felizes". Nesse sentido o coração tem razões que a razão pode conhecer pois considerando o querer ter bem estar, esse divórcio entre a razão e a emoção que está na base de comportamentos compulsivos deve ser trabalhados. Onde se deve buscar a articulação crescente entre a razão e a emoção como resposta e caminho a trilhar para domarmos as nossas compulsões.

Sim. Voltamos ao nosso Criador. Que nos dá condições de fato de podermos desenvolver o poder que temos dentro de nós sobre as nossas reações às nossas emoções. Focando no que realmente nos interessa, a felicidade , saúde e bem estar que implica de fato, sermos capazes  de adaptar á realidade acima de nossos desejos imediatos e dos comportamentos emotivos reativos.

Diante de toda esta complexidade humana de fato há razões que a própria razão desconhece. Porém, se faz necessário que sejamos capazes de ser bons leitores das condições humanas da vida e centrar no querer do bem estar de si próprio e do próximo. Buscando agir com o coração, mas com a orientação e o conhecimento da mente desenvolvendo assim cada vez mais a inteligência emocional. Equilibrando a razão e a emoção de forma a proporcionar um crescer em saúde física, familiar, social, profissional dentre outros. Não valorizando assim, as razões fugidias, subterrâneas, obscuras, submersas nos porões de algumas mentes doentias, insistindo em vicejar, como opróbrio do ser humano, que constitui as mazelas de alguns e pode ser a vergonha de outros, os retos de espírito.

Sendo assim, nesta visão, quando começamos a refletir e colocar em prática comportamentos que nos direciona a romper com certos paradigmas, somos capazes de descobrir novas formas de funcionar, de nos pouparmos, de nos conhecermos e de entendermos o outro. Valorizando assim, as virtudes humanas, a força do amor, sua capacidade de realização, a solidariedade, a empatia para com o próximo, a liderança em fazer o bem, etc. 

Que em nosso criador cada um de nós possamos encontrar respostas significativas para a nossa existência...



Autora: Fátima Soares Ribeiro
Texto elaborado com base  em outros artigos pesquisados na internet.







domingo, 28 de junho de 2015

Conteúdo da Formação:Leitura e escrita pelo aluno

Conteúdo da Formação:Leitura e escrita pelo aluno
Resultado de imagem para Imagens de grupo de leituras

“... A palavra escrita num livro é uma palavra morta; quando fazemos a leitura silenciosa, não está morta, acorda um pouquinho; mas a palavra só fica acordada quando a dizemos. Para que a palavra soe desperta é preciso dizê-la; ler silenciosamente as palavras não é suficiente. E nós todos sabemos que, quando se lê poesia, fazer uma leitura silenciosa de uma poesia ou fazer uma leitura em voz alta dela são dois mundos completamente diferentes (...) eu digo ao meu leitor “você tem que ler escutando dentro da sua cabeça a voz que está dizendo”, isso se aplica ao autor.”
José Samarago

           
            Estávamos nós em uma manhã, na sala de treinamento , sentadas em um grande círculo estudando, discutindo e refletindo sobre o conteúdo: leitura só que agora com foco nos alunos já alfabetizados. Um conteúdo  novo que no decorrer foi se equilibrando com o objetivo de discutir  a fluência leitora e seus entendimentos. Este nos trouxe apontamentos do caminho que iremos trilhar nestes últimos encontros, bem como, indagações da prática e perspectivas de onde podemos chegar. Ao término do encontro estávamos certas que nunca mais seríamos as mesmas porque esta é a magia essencial de viver se formando!

            Tudo começou a partir do levantamento prévio que nós formadoras propuseram uma conversa sobre as práticas mais comuns de leitura pelo aluno observadas na escola e quais suas finalidades. Na conversa as participantes apontaram o que já esperávamos tais como: leitura individual, compartilhadas, silenciosa, leitura em voz alta feita pelo professor,leitura pelo aluno. Algumas faziam parte de alguma modalidade organizativa do tempo didático. Percebemos que as práticas de leitura são muitas desenvolvidas nas escolas, contudo se perdem em suas finalidades, um exemplo é a situação de leitura pelo aluno, nosso maior foco neste encontro, a finalidade mais forte pelas falas das coordenadoras é “tomar a leitura” para dar notas, apenas notas!Para avaliar, tomava conta do discurso das coordenadoras, em meio às falas, muitas pareciam não se dar conta disso até afirmaram fazer isso também. Naquele momento parecia tudo meio confuso. Essa concepção de dar importância a tomada de leitura pode gerar no aluno problemas futuros, em vez de formamos alunos que leem com e por prazer, que saibam definir suas apreciações, que saibam opinar o que leu, saibam falar sobre um autor...formaremos alunos presos ao um sistema avaliativo de ler por obrigação, ler em troca de algo como presenciamos por aí nas práticas de sala de aula.
            Para a segunda proposta da pauta perguntamos ao grupo: O que é ser um bom leitor?

            Para as coordenadoras é:

Coordendora 1 – Bom leitor é a aquele que sabe selecionar o que vai ler, pensando no gênero em diferentes situações do cotidiano.
Coordenadora 2 – Ser bom leitor é aquele que le com desenvoltura é capaz de compreender o que está implícito no texto.
Coordenadora 3 – Ser bom leitor é ter capacidade de escolher seu texto com autonomia. É saber inferir, ou seja, usar estratégias de leitura. É saber que lemos em diferentes momentos em diferentes propósitos.
Coordenadora 4 – É aquele que também lê nas entrelinhas acima daquilo que o autor escreveu.
Coordenadora 5 – Penso que um bom leitor não é só o que lê o que está propriamente dito, sim aquele que sabe pesquisar, o que vai ler também.

            Em seguida convidamos as coordenadoras para lerem os seguintes trechos abaixo que representavam de modo geral as respostas do grupo quando perguntamos antecipadamente: Os alunos da sua escola são bons leitores? Por quê?

Boa parte, pois tenho acompanhado a frequência de livros emprestado da biblioteca, para ser lido em casa, uma vez por semana cada professor leva seus alunos para escolher o livro que quer ser lido na biblioteca, alguns alunos do ciclo de alfabetização pede para a professora fazer leitura em voz alta para eles.

Em nossa escola acredito que os alunos são bons leitores sim, devido ao fato de que sempre estão fazendo empréstimos de livros na biblioteca da escola, trazendo livros de casa para leitura da professora, o cantinho de leitura é o local mais frequentado da sala de aula, percebe-se que os alunos gostam muito de ler.
Sim, pois a escola tem realizado um trabalho que leva o aluno a ter prazer em pegar um livro para leitura mesmo os alunos que ainda não conseguem ler de forma convencional.



            Presenciamos a renúncia das respostas apresentadas no quadro logo após a leitura. Puderam então enxergar a confusão que fizeram entre o que significa ser bom leitor e as situações que envolve a leitura na escola. O que não sabemos de fato é o que levou a tal mudança, no calor das discussões esquecemos de fazer esse questionamento. Só sabemos que com essa comparação o grupo chegou à conclusão de que devem ficar mais atentos as tarefas solicitadas. E também refletiram que fazer empréstimos de livros, de levar alunos a biblioteca, de participar de cantinhos de leitura... não significa que o aluno é um bom leitor, podendo até ser situações que contribuem. Um bom leitor é aquele que compreende o que lê incorpora as estratégias de compreensão leitora, que apresenta comportamentos e capacidades leitores...
           
            Prosseguimos convidando as coordenadoras para lerem o texto Como fazer para que os alunos sejam bons leitores? de Cinthia Kuperman, para as questões norteadoras foram: 
  
➔     O que é ler com fluência?
➔     O que ajuda a ler com fluência?
➔     Qual a relação entre compreensão e fluência leitora?
➔     Por que a maioria de nossos alunos apresenta dificuldades para ler com fluência?

           Na socialização a conversa foi assim:

  Coordenadora 2 compartilhou - “Nós colocamos que lê com fluência aquele que sabe as diferentes situações do cotidiano interpretando a função social da escrita e da leitura permitindo compreender o significado do texto.”

            Em sequência uma coordenadora aponta suas conclusões -“Ler com fluência é o ato de simplesmente ler. É a decifração o aluno respeita todos os aspectos do texto, mas necessariamente não compreende oque lê.”

            Neste momento uma formadora fez o  seguinte questionamento–“Observem a resposta da coordenadora e digam se concordam.”

 coordenadora 1 – “Não! Ler não é somente decodificar.”

coordenadora 2 – “Ela quis dizer o seguinte. Que o aluno pode ler corretamente respeitando tudo, pontuação, mas ler mecanicamente, mas não consegue ler de acordo com intencionalidade do texto.”

Coordenadora 3 – “Acho que não! Ler com fluência já está falando é ler com fluência! Que engloba todo contexto da leitura.”

Formadora – “Explica melhor coordenadora 1 isso?Quais contextos da leitura que você se refere?”

Coordenadora 1 – “Os propósitos do texto, a função comunicativa que o texto exerce socialmente.”

Formadora – “Aproveitando o que a coordenadora 1 está falando, cite um exemplo que possibilite o aluno ler com fluência pensando no propósito comunicativo?”

Coordenadora 2 – “Exemplo é trabalhar um conto de terror com as crianças em que lerão para outros, para isso devem trazer momentos de leitura em que tem que ler conforme a característica do gênero. No conto de terror deve ler com suspense. Outro exemplo é solicitar as crianças que leiam uma poesia para uma apresentação, fazendo uma leitura melódica, emotiva,sei lá... Sei que entendi que para ler com fluência o leitor deve ter uma relação com a organização do texto, característica do gênero e aos propósitos.”

Formadora – “Tudo bem! Mas o qual a relação do leitor fluente coma característica do gênero?”

Coordenadora 3 – “Conhecimentos! Se conheço o gênero, sua organização possibilita uma leitura com fluência, não leio de qualquer modo.”

Coordenadora 3 – “Um aluno não vai ler uma receita como lê uma poesia. Penso que ele vai respeitar o que o texto pede.”

 Coordenadora 4 _ “Tanto que na leitura de poesia a criança lê, reler, lê marcando com dedo com  a régua, ouve sua voz, grava ouve sua própria voz, até se sentir seguro para ler para quem vai ouvi-lo, pelos menos foi isso que entendi na leitura do texto.”

            Para não perder algumas reflexões foi necessário validar algumas reflexões geradas até o momento sobre a leitura com fluência dessa forma fizemos o seguinte levantamento:

®    Não é simplesmente decifração;
®    Que não é só ler rapidamente;
®    Não significa necessariamente compreender o que leu;
®    Quando tem afinidade com gênero textual possibilita uma leitura mais fluente;
®    Quando se domina as características do gênero pode garantir uma leitura mais fluente;
®    Quando se sabe os propósitos que se tem ao ler pode-se ler melhor.
®    Ler melhor aquele que sabe para quem vai ler.

            Embora destacamos pontos que tem relação com a leitura fluente, sentíamos de algum modo a ausência de outros elementos como a pontuação, a leitura com entonação...

            Assim continuamos a conversa.

Formadora – “Agora recuperando um pouco o que falaram sobre o propósito da leitura. Quando leio uma receita faço de forma instrucional, quando é poesia lemos de forma emotiva. Para cada texto exige leitura diferente. Certo? Agora pergunto: O que tem no texto que nos leva a fazer a leitura diferente? Seja instrucional, narrativa,argumentativo?O que ajuda ler com fluência além do supracitado que não saiu ainda? ’

Coordenadora 3 – “A postura de quem está lendo?”

Formadora – “Também! Mas porque a forma de ler a poesia é diferente da receita um exemplo?”

Coordenadora 4 – “Os propósitos!”

Coordenadora 5 – “Penso que leio a receita para produzir algo. Sigo passo a passo.”

Formadora – “Tudo bem os propósitos podem ser diferentes. A receita eu ensino a fazer algo, o poema tenho intenção de emocionar. Tudo bem até aí. Mas o que me leva ler uma poesia de forma emotiva?O que tem no texto que ajuda a trazer emoção?”

Coordenador 5 – “Acho que têm que entender as características do gênero.”

Formadora – “Mas tem algo dentro da característica que da vida ao gênero para fazer uma leitura com fluência. O que é? É isso que ajuda ler com fluência ou alimenta uma leitura com mais fluência?”

Coordenadora 1 – “A entonação de voz, o ritmo.”

Formadora – “Certo! Mas o que me leva a ler com entonação?”

Coordenador 6 – “A pontuação!.”

Formadora – “Isso! A pontuação que nos ajuda a ler com expressividade. Vocês falaram muito sobre respeitar as características do gênero. Isso quer dizer que engloba muita coisa tanto do ponto de vista do discurso quanto dos aspectos textuais. Enfim, depois de tudo que apontamos para ler com fluência é preciso também dar voz a pontuação que tem no texto. Para sistematizar: Ler com fluência não é só decifrar, pois muitos podem ter lido aqui hoje e não ter lido com fluência.”

Coordenador 6 – “Nós falamos aqui que antes entendíamos que ler com fluência seria ler rapidamente, corretamente e tirar a ideia principal do texto. E acredito que nossos professores pensam assim também.”

Coordenadora 1 – “Tem que pensar que não é só as crianças que não leem fluentemente temos professores que decifram, mas não interpretam.”

Formadora – Calma aí! Parece que ainda não está claro o que é ler com fluência. Ler com fluência não é sinônimo de compreender o texto? Vejam o que Cinthia diz na primeira página “Muitos professores se perguntam o que fazer quando a leitura dos seus alunos é pouco fluente. Em princípio, temos que recordar que ler com fluência não necessariamente equivale a compreender. Se os alunos não atribuem sentido ao que leem, é porque têm permanecido presos à decifração; portanto não estão lendo. É necessário agilizar a leitura para conseguir que se sintam mais seguros e tenham mais ferramentas disponíveis para enfrentarem um texto. Saber que funções cumprem os negritos que destacam determinadas frases ou palavras, que pistas oferecem os títulos, o que significa um asterisco junto a uma palavra, como buscar informação específica em uma enciclopédia de quatrocentas páginas, são competências necessárias para ser um leitor ágil.
Como se assinalou em outros trabalhos neste livro, não há uma única modalidade de leitura, mas múltiplas, de acordo com a finalidade que orienta essa atividade. Ler ou não com fluência também depende da intenção com que se aborda o texto. Na classe, com certos materiais, é imprescindível compartilhar os propósitos da leitura para que os alunos consigam dar sentido próprio a essa tarefa. Que saibam para que leem, o que se espera que estratégias possam funcionar como referência para outras ocasiões, é essencial para ajudar-se a ler melhor. Também é útil saber ler em voz alta para um auditório, seja um conto, uma poesia, ou um fragmento de informação localizada e que essa leitura permita comunicar um significado. “Preparar-se para ler diante de um auditório requer ensaiar previamente a leitura e é provável que isso ajude a ler de forma mais fluída, ao menos, o texto em questão.” Pela leitura desse trecho podemos afirmar que ler com fluência é sinônimo de compreensão?

Coordenadora 1 – “ainda não consigo entender isso. Pra eu ler uma poesia que emociona os ouvintes tenho que entender o texto.”

Formadora – “Veja. O que está em jogo para ler com fluência são os aspectos composicionais, os propósitos, procedimentos de leitor, comportamentos leitores, conhecer o gênero, autor, compreender também o texto, mas não necessariamente como aborda Cinthia... Isso tudo não quer dizer que para ler com fluência necessito compreender o texto, contudo não impede de se compreender, mas se compreendo posso ler cada vez melhor. Na escola podemos ter crianças que leem fluentemente uma poesia e poderá não compreendê-la, até mesmo porque sabemos que não é uma gênero tão fácil de compreensão. Outras que também leem rapidamente, mas não leem com fluência.”

Formadora – “Esse pensar de ler rapidamente é muito confundido com leitura fluente na escola.” 

Coordenadora – “Vou dar um exemplo bem claro de ler com fluência não significa compreender o texto. Vejo muito as apresentações das crianças na escola em que envolve leitura de texto, alguns bem críticos, as crianças leem muito bem, mas não sabem o que significa assim podemos concluir que ler com fluência, mas nem sempre que dizer que compreendeu.”

Coordenadora 2 – Essa questão de compreensão é ser um bom leitor, foi o que compreendi hoje. Ser um bom leitor é aquele que lê e compreende o que está explicito e implícito no texto. Ler fluentemente é diferente, posso ler fluente e não compreender e posso compreender também e ler com fluência.

            Para encerrar este primeiro momento fizemos uma síntese do que é e o que ajuda ler com fluência:

®    Não é simplesmente decifração;
®    Que não é só ler rapidamente;
®    Quando tem afinidade com gênero textual possibilita uma leitura mais fluente – conhecer o gênero textual.
®    Quando se domina as características do gênero pode garantir uma leitura mais fluente – conhecer a composição do gênero textual;
®    Quando se sabe os propósitos que se tem ao ler pode-se ler melhor.
®    Saber informações sobre o autor.
®    Ler com fluência não é sinônimo de compreender, mas só haverá leitura fluente se houver compreensão do texto.
®    Conhecer o público;
®    Quando sabe para quem vai ler.

Em continuidade: Porque a maioria de nossos alunos não leem fluentemente?

Coordenadora 2  – "Por estão presos a uma prática em que se ler para avaliar sem ter um propósito, um destinatário real mesmo. Quem o ouve? “É só o professor, simplesmente ele!” 

Formadora – "No início do encontro alguém falou que uma das práticas de leitura é “tomar a leitura” e que alguns de vocês até fazem isso. A questão é: É preciso isso? Para que isso? Não tem outro caminho que pode ser feito que dê condições tanto do professor avaliar seu aluno a respeito da leitura?”

Coordenadora 3 – “Eu faço isso porque os alunos gostam e até cobram?”

Formadora – “Eu sei, mas porque eles gostam? Penso que seja porque a prática já faz com que eles se habituassem a essas situações. Eu mesma me sentia muito mal quando a professora solicitava esse tipo de leitura com intuito de me dar nota, meu estado emocional fica abalado, onde gaguejava tremia... e a questão é: Em algum momento isso foi considerado?”

Coordenadora 4  - “Essa leitura deve ser dentro de um propósito, está dentro de uma rotina em que envolvem todos. Não pegar a criança e tomar a leitura porque assim induzimos o jeito certo e errado de se ler. Pois sabemos que se fazemos um sarau, assim como falamos, eles podem participar, professor se quiser pode avaliar, mas o aluno está envolvido nos propósitos sociais que nem ficará com tanto medo da nota que vai vim, o medo aí já pode ser outra coisa, o de apresentar.”

Coordenadora 5  – “E o que fazer com a criança que tem medo de errar?” 

Formadora – A criança tem medo de errar justamente pelo o sistema em que está inserida. Vejam que no próprio texto da Cinthia diz “Como atuar com os alunos que têm medo de errar? Não há uma fórmula precisa para saber o que fazer com os alunos que se mostram temerosos diante da leitura. No entanto, há algumas intervenções didáticas que podem ajudá-los a ter confiança em si mesmo e a considerar o erro como parte do processo de aprendizagem.Saber que o conhecimento é provisório e que tudo o que se aprende é objeto de sucessivas reorganizações permite substituir esse temor e ganhar confiança na sua capacidade. O professor ajuda os alunos a se darem conta do que podem e do que sabem. Por isso é importante planejar situações didáticas que organizem o ensino na classe, de modo que os alunos reflitam a partir dos conhecimentos – em alguns casos errôneos ou provisórios – que possuem e possam fazer o que lhes propomos: ler um novo texto, um texto mais extenso, buscar informação precisa, etc. A única maneira de promover a aprendizagem é que os alunos resolvam situações problemáticas e adquiram estratégias que lhes permitam resolvê-las cada vez com maiores recursos...”. Pensamos que o medo pode diminuir quando colocamos o aluno para ler dentro de um contexto, pois é isso que vai gerar minha leitura, não isoladamente como já mencionamos.

            O tempo já expirava só nos permitiu ler o trecho abaixo para ajustar o que falamos sobre como ajudar os alunos a serem bons leitores:

Várias questões podem ser levadas em conta para ajudar os alunos a ser bons leitores. Em continuação analisam-se algumas propostas didáticas que, na prática, se relacionam, pois uma necessita da outra.

Ler diversos textos
Será necessário propor diversos tipos de textos: um repertório amplo, de circulação social real (receitas, cartas, contos, notícias, obras de teatro, páginas de enciclopédia, etc.) Sem textos verdadeiros na sala de aula, é impossível ajudar os alunos a melhorar seu processo leitor.
Na escola há uma tradição segundo a qual se fracionam e graduam os textos ao ponto de deixar de serem textos.[1] A prática escolar se distancia e fica dissociada de outras práticas sociais; os textos que se oferecem se transformam em absurdos, carentes de sentido e de verdadeiros propósitos comunicativos. Ter o texto completo à disposição oferece mais pistas ao leitor que ter somente uma parte descontextualizada. Quando se lê unicamente um fragmento ou uma notícia isolada, se xeroca uma página de um livro de estudo, etc., é fundamental mencionar a fonte, isto é, indicar de onde foi extraído o texto, mostrar o livro completo, o jornal ou o suporte de onde fazia parte. Isto permitirá contextualizar sua procedência.

Ler segundo um propósito
Quando os alunos e os adultos leem com um propósito claro, estão em condições de selecionar o texto e ajustar as estratégias mais adequadas para compreendê-lo.[2] Esse propósito pode ser desfrutar, obter informação – geral ou precisa -, seguir instruções, comunicar algo a outros, etc. Não se lê porque sim; sempre há uma finalidade. É necessário prever diversos propósitos de leitura tanto durante cada ano escolar como durante toda s escolaridade.

O professor lê aos alunos
Ao ler um texto aos alunos, o professor modeliza comportamentos de leitor; comenta qual editora publicou o material; quem é o ilustrador; lê os dados da contracapa; relaciona o texto com outro da mesma coleção, com outros títulos do autor, ou com textos similares; lê o índice; mostra o marcador de página que usará e antecipa quanto vai durar a leitura; faz marcas com lápis no texto e as compartilha com os alunos. O professor comunica qual é o propósito: lê para que os alunos conheçam uma história; lê um bilhete que colarão no caderno de comunicados; lê para buscar informação específica e solicita que o avisem quando perceberem que dada informação é relevante; relê; registra uma página para depois encontrá-la facilmente e escreve um pequeno texto que funcione como apoio à memória. Gera um ambiente que propicie e estimule a leitura. Enfim, um professor que atua deste modo, ensina a ler.

Os alunos leem por si mesmos
O professor oferece livros aos alunos e os prepara como leitores na aula. Dá-lhes tempo para que olhem os textos, para que selecionem entre vários qual servirá para buscar informação acerca do que estão estudando. Põe à sua disposição marcadores de páginas para que marquem aquilo que depois desejarão voltar a ler; convida a ler um título; oferece várias biografias para que os alunos encontrem as que são de autores que estão lendo e para que localizem novas informações relacionadas com o que selecionaram até o momento. Pergunta como fizeram para encontrá-las, em que se detiveram, o que levaram em conta. O professor não impõe a sua leitura, trata de compreender o que os alunos leram, qual o sentido que construíram. Deste modo, também ensina a ler.
Em cada aula há alunos com diferentes experiências em situações de leitura. Isto, mais que um problema, é um interessante ponto de partida para começar a trabalhar. Diversas intervenções ajudarão para que todos leiam um texto. Estas variarão de acordo com o texto, o propósito, a informação que oferece o professor e os conhecimentos que tenham os alunos. Por exemplo:
·         Dizer que o texto informa sobre a rã e solicitar aos alunos que localizem os dados novos que oferece sobre o tema;
·         Solicitar que localizem em um novo texto informações que já conhecem sobre o tema que estão estudando.
Ler bem não é, necessariamente, fazê-lo bem em voz alta. Tradicionalmente, na escola, ler bem era sinônimo de dizer bem, mas agora se sabe que entender não é o mesmo que oralizar um texto escrito.



            E ainda para fechar as discussões passamos em slide os seguintes conceitos sobre leitura com fluência.


Valquíria Pereira
Ler fluentemente não significa apenas compreender o que se lê, pois é possível ler rapidamente sem entender o assunto de que trata o texto. A leitura de um texto requer conhecimento de seu propósito por parte dos alunos, já que fluência também tem a ver com a intenção da leitura – para quê ler, com qual finalidade, quais estratégias poderão ser utilizadas, o que se espera ao final, e é importante expor aos alunos esse propósito em cada atividade. Costumamos “tomar” um texto sempre com uma intenção e esta não necessariamente é vinculada a seu gênero. Dessa forma, nem sempre vou ler obras literárias apenas para apreciar, mas também posso ler para fazer um estudo sobre a época em que se passa um romance, ou para analisar o estilo empregado pelo autor, ou ainda para traçar um perfil dos personagens. Também lemos notícias com intuitos variados, além de se informar; podemos ler para conhecer mais sobre outro país, para ampliar nosso conhecimento sobre um assunto específico, para estudar para uma prova etc. A intenção, o propósito vai determinar minha leitura e a compreensão que tenho do assunto abordado por aquele texto.


Kátia Lomba Bräkling

A fluência em leitura
Outro conjunto de dificuldades que leitores em formação encontram para compreender textos está relacionado ao processo de leitura mesmo, quer dizer, ao modo como esses leitores processam as informações gráficas e apreendem unidades sonoras, lexicais, sintáticas e semânticas. Isto ocorre porque, quando o leitor lê com muito esforço, decodificando palavras e prestando atenção em cada uma das letras (ou mesmo em unidades superiores, como sílabas e palavras), sobrecarrega seu cérebro, impedindo a que se volte para a compreensão do que está lendo. Não há muita pesquisa sobre o desenvolvimento da fluência em escolas brasileiras. A própria inexistência de pesquisas, aliada a indicadores assistemáticos obtidos em visitas a escolas e no acompanhamento da leitura oral de alunos, me faz supor que, talvez, esse seja um dos mais importantes problemas enfrentados por leitores em formação em nossas escolas. Ao que parece, a habilidade de fluência é muito pouco ou quase nada trabalhada nas escolas ou incentivada por orientações curriculares e livros didáticos.
Para que o aluno leia com fluência, é fundamental que:
I- possua um amplo domínio das relações entre grafemas e fonemas na ortografia do Português;
II - automatize o processo de identificação de palavras, por meio do qual, em vez de decodificar lenta e laboriosamente as unidades gráficas, o leitor apreende quase automaticamente essas unidades, em grande parte porque já construiu uma espécie de “dicionário mental” ou “léxico mental” (FAYOL, 2006) que permite tomar uma palavra não como uma nova palavra, mas como algo que já se conhece e, por isso, se reconhece;
III- seja capaz de realizar uma leitura expressiva, que envolve uma adequada atenção aos elementos prosódicos, como entonação, ênfase, ritmo, apreensão de unidades sintáticas (KUNH e RASINSKI, 2007);


             
Cinthia Kuperman

Em princípio, temos que recordar que ler com fluência não necessariamente equivale a compreender. Se os alunos não atribuem sentido ao que leem, é porque têm permanecido presos à decifração; portanto não estão lendo. É necessário agilizar a leitura para conseguir que se sintam mais seguros e tenham mais ferramentas disponíveis para enfrentarem um texto. Saber que funções cumprem os negritos que destacam determinadas frases ou palavras, que pistas oferecem os títulos, o que significa um asterisco junto a uma palavra, como buscar informação específica em uma enciclopédia de quatrocentas páginas, são competências necessárias para ser um leitor ágil...
Ler bem não é, necessariamente, fazê-lo bem em voz alta. Tradicionalmente, na escola, ler bem era sinônimo de dizer bem, mas agora se sabe que entender não é o mesmo que oralizar um texto escrito...


            Infelizmente não foi possível dar continuidade ao desenvolvimento da pauta, em especial, à parte do acompanhamento do coordenador junto ao professor.
            Encerramos acreditando que aprendemos um tanto, contudo é preciso maior aprofundamento sobre o assunto porque não se muda uma concepção em minutos, mas pode-se provocá-la a ponto de causar inquietações. Nas inquietações é preciso desajustar para ajustar, repensar para construir novas ideias e foi isso que aconteceu. Pelo menos foi o que concluímos ao final deste encontro, não foi nada tranquilo, muitas podem não ter concordado com o final dessa história.
            Fomos embora que o amanhã é outro dia!  Desejamos que pelo menos que elas entenderam que é necessário dizer para ouvinte o que o texto diz na sua mais bela forma composicional.



Obs: Gostei deste  texto, o qual foi extraído de um blog e no lugar do nome das coordenadoras participantes foi apenas colocado de forma aleatória uma numeração para cada coordenadora.

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